Durval

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Leia o artigo de Durval Ângelo nesta terça

Prestar contas à sociedade é um dever de todo e qualquer representante eleito. Afinal, recebeu somente uma procuração, por meio do voto e são os eleitores os reais donos do mandato. É nesta perspectiva que, como deputado estadual, sempre tive a preocupação de editar livros e outros materiais informativos sobre a nossa atuação. Tais publicações, no entanto, têm outra finalidade de grande importância: auxiliar os cidadãos e cidadãs na reflexão sobre a ação política. Independentemente da temática abordada, nosso principal propósito é motivar a organização popular, mantendo acesa a chama da esperança, principal combustível das grandes transformações.

No final de 2015, editamos o livro Tempos Sombrios: escritos políticos 2015; uma compilação dos artigos que publiquei no decorrer do ano neste e em outros espaços, bem como de comentários em redes sociais e pronunciamentos na tribuna da Assembleia. Agora, dando continuidade ao trabalho, lanço na próxima quarta-feira (14), às 19 horas, no Teatro da Assembleia, um novo título: Tempos de resistência: escritos políticos 2016, com apresentação do ex-presidente Lula, prefácio do ator Bemvindo Sequeira e comentário do teólogo e escritor Leonardo Boff.

De todos, este foi, sem dúvida, o mais difícil de ser escrito, pois a cada artigo, retratávamos a consumação do golpe, com o retorno ao poder dos representantes das elites deste país. Em curto espaço de tempo, não foram poucos os retrocessos sinalizados pelo governo ilegítimo: flexibilização das leis trabalhistas, encolhimento de programas de inclusão que mudaram a cara deste país, como o Bolsa Família e o Prouni, além do teto para os gastos públicos, que deverá paralisar por 20 anos, políticas sociais e investimentos em áreas essenciais.

Em outros textos, abordamos as artimanhas da oposição para desestabilizar o governo de esquerda de Fernando Pimentel em Minas Gerais. Para isso, os inconformados com a derrota nas eleições apoiam-se em uma questionável operação da Polícia Federal que, eivada de vícios e irregularidades, não esconde seu objetivo maior: afastar um governador democraticamente eleito com mais de cinco milhões de votos.

Diante de tudo isso, que caminho nos resta? Somente um, acredito: a RESISTÊNCIA. Precisamos manter a capacidade de indignação e mobilização para dizer NÃO ao retrocesso e a partir desta negativa, construir um novo tempo. São esses caminhos de resistência a principal tônica desta nova publicação. Caminhos que vêm sendo trilhados por movimentos tradicionais de luta e pelos jovens nas ocupações, dentre outras mobilizações.

Como destaca o ex-presidente Lula, na apresentação do livro, são movimentos que “não se deixaram intimidar pela ofensiva manipuladora da maioria dos meios de comunicação e saíram às ruas, corajosamente, para lutar pela liberdade e a dignidade do povo brasileiro”. Eles são a prova de que a resistência será sempre a palavra de ordem daqueles que lutam por um mundo de justiça e inclusão.

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