Cerveja: mercado saturado abriu caminho para as artesanais

Cerveja: mercado saturado abriu caminho para as artesanais
Dono da primeira cervejaria 100% nacional, Paulo Patrus defende a inovação na gestão e no sabor das cervejas, contra a mesmice das grandes empresas

Pautando Minas - O ramo das cervejarias artesanais vem mudando o gosto do brasileiro pela cerveja, o que fica evidente na criação de bebidas com os mais variados sabores, dos tradicionais Stout ou Pilsen, até a cerveja de açaí produzida no Norte do Brasil. Mais do que isso, no entanto, o setor também promete revolucionar o sistema de produção das cervejas nacionais. Ao menos é o que planeja o empresário Paulo Patrus, proprietário da cervejaria artesanal Grimor, que trabalha em parceria com a pesquisadora da UFMG e cervejeira Gabriela Montandon, tendo ajudado a desenvolver uma levedura brasileira para fermentação das bebidas nacionais.

A levedura é um fungo fundamental no processo de fermentação da mistura de cevada, água e lúpulo, que faz a cerveja, que não existia no Brasil até a pesquisa em parceria com a UFMG, que foi desenvolvida pela pesquisadora durante um ano na Bélgica. “Até hoje, sempre que alguém queria fazer cerveja, industrial ou artesanal, no Brasil, tinha de recorrer às leveduras importadas, o que encarecia o processo e reduzia a variedade dos produtos”, explica Patrus, que agora aguarda que seja patenteada a inovação para que ele não se torne um privilégio de sua marca, mas um benefício de acesso universalizado a todos os produtores.

A inovação vai ser tema de uma palestra no IV Inovatech JF, que será realizado em Juiz de Fora, Minas Gerais, nos próximos dias 20 e 21 de novembro, no Premier Parc Hotel. De acordo com o cervejeiro, o objetivo do diálogo com os participantes do encontro é discutir a importância das cervejas artesanais na diversificação do mercado nacional, trazendo qualidade a este segmento da gastronomia, mas também inovando e possibilitando que os produtores independentes implementem métodos inovadores de gestão e incentivo à pesquisa em seus empreendimentos.

“As cervejas tradicionais, as grandes marcas, sempre investiram numa bebida com pouco sabor, que buscasse atingir à fatia mais ampla possível do mercado. Nos, cervejeiros artesanais, investimos no contrário: nos sabores e no gosto refinado, na vontade do brasileiro de descobrir novas cervejas, o que tem dado muito certo.” Ele atribui o crescimento das marcas independentes a uma tendência do brasileiro a renovar o seu gosto pelo que consome, inclusive a bebida número um do país. “As pessoas sempre gostaram de beber, e a diversificação fez bem ao mercado.”

Cooperativa do cervejeiro

Patrus conta que a história da Grimor, que é a primeira cerveja produzida com ingredientes 100% nacionais, graças à nova levedura, começou em 2006 com a produção caseira, que rendeu prêmios. Depois, em 2012, veio a associação a duas outras marcas, a Vinil e a Jambreiro, para que as três juntas criassem uma fábrica que serviria a todos. O compartilhamento da mesma estrutura fez com que eles próprios se denominassem “membros de uma cooperativa”, embora não gozem dos benefícios fiscais e tributários de uma instituição reconhecida pelo Governo como tal.

“Somos empresas, mas funcionamos na base da partilha e da cooperação, o que teve início na nossa vontade de pensar e empreender juntos”, afirma Patrus. Nada disso seria possível, no entanto, se não fosse a saturação do consumidor com as marcas tradicionais. “Ao explorar por décadas apenas um tipo de cerveja, algo próximo da Pilsen, com pouca variação de sabor, as grandes empresas deixaram ali um nicho de mercado a ser explorado por quem o identificasse. Com a chegada das importadas e sua rápida aceitação pelo público, muitos produtores artesanais perceberam essa necessidade e investiram nisso.”, ratifica.

Ele e outros cervejeiros estarão no IV Inovatech JF. Para participar, basta fazer as inscrições no site do evento.

Colunistas