Cerveja de a

Cerveja de a
As duas inciativas, uma de Manaus e outra de BH, foram tema de palestra e workshop no IV Inovatech JF, em Juiz de Fora.

Pautando Minas – No último dia de atividades do IV Inovatech JF, evento de tecnologia e inovação sustentáveis que está sendo realizado em Juiz de Fora, o tema foi cervejas artesanais, uma das atividades econômicas crescentes no estado e que tem na cidade da Zona da Mata mineira um dos principais polos nacionais. As apresentações ficaram por conta do cervejeiro Paulo Patrus, criador da Grimor, primeira cerveja 100% brasileira, e a amazonense Aurilene Siqueira, que desenvolveu uma cerveja cuja receita é feita com açaí, uma das frutas mais famosas da região norte. Os dois mostraram como a pesquisa e a inovação também podem chegar à gastronomia.

Segundo Aurilene, a ideia surgiu de uma disciplina de faculdade e era apenas um trabalho teórico, mas logo veio a iniciativa de fazer um produto que pudesse, um dia, ganhar o mercado. O processo de fabricação da bebida passou por várias etapas, de testes e de segurança, até que fosse concebida a cerveja no tipo Weiss (aquele mais claro, de sabor leve), que tem um leve sabor e aroma da tradicional fruta da Amazônia.

“Esse trabalho foi um processo em que a gente teve muita confiança e fé em que tudo desse certo, porque era tudo muito difícil. Obter os insumos no Amazonas é extremamente difícil, a logística é complicada”, explicou Aurilene. “Não sou mestre cervejeira. Sou uma estudante que teve um desafio e correu atrás do que era preciso para realizá-lo. Isso mostra o quanto podemos empreender e ter sucesso”, descreveu a amazonense, que hoje é procurada por diversos bares de Manaus para vender a bebida. Para tal, ela precisa esperar a conclusão do processo de obtenção da patente. Ela trabalha, ainda, com o projeto de uma cerveja de mandioca.

Cerveja 100% brasileira

Paulo Patrus, que criou em Belo Horizonte uma cerveja nacional, a Grimor, que foi a primeira a usar levedura brasileira em sua composição, enfatizou outra parte importante do empreendimento em gastronomia: apostar na pesquisa científica para baratear os custos e criar novos sabores e aromas. Se no caso de Aurilene a inovação resultou em um novo sabor, a história da Grimor é um relato sobre a eficácia na produção a partir do investimento em pesquisa.

Patrus investiu, numa parceria com uma universidade da Bélgica, na criação de uma levedura nacional que barateasse os custos das cervejas artesanais. Até então, os produtores tinham de trabalhar com materiais importados, o que aumentava os custos de produção. “A obtenção deste insumo foi fundamental para que nós avançássemos na produção da cerveja artesanal. Hoje, esse mercado cresce cada vez mais.”

De acordo com o criador da Grimor, há uma demanda no mercado por novos sabores e texturas para a bebida número um dos brasileiros. “Até algum tempo atrás, todo mundo era obrigado a consumir as mesmas bebidas, um mesmo tipo de cerveja, um tipo de weiss bem leve e padronizado. Hoje, a incrível variedade trazida pelas artesanais é resultado de uma visão de mercado que os produtores tiveram”, concluiu Patrus.

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